Inmet decreta aviso de grande perigo para 264 municípios do RS e de SC, enquanto Defesa Civil já soma danos em 49 cidades gaúchas.
O Rio Grande do Sul amanheceu nesta terça-feira sob o alerta meteorológico mais grave do país. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso vermelho de grande perigo para acumulado de chuva, cobrindo uma faixa que vai de São Borja, na fronteira com a Argentina, até a divisa com Santa Catarina, além da região de Rio Grande e da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ao todo, o alerta abrange 264 municípios dos dois estados. O motivo é o deslocamento de uma frente fria pela Região Sul, que já provoca temporais desde o fim de semana anterior. A situação preocupa moradores de áreas ribeirinhas e produtores rurais, já acostumados com o risco de cheias em anos marcados por instabilidade climática intensa como este.
O que motivou o alerta vermelho no estado
Segundo o Inmet, a combinação de frente fria e umidade vinda do Paraguai e do norte da Argentina tem mantido o Rio Grande do Sul em sucessivos avisos meteorológicos desde a semana passada. Antes do alerta vermelho, o órgão já havia emitido avisos amarelo e laranja, sinalizando risco de chuva volumosa, granizo e ventos entre 60 e 100 quilômetros por hora em diferentes regiões gaúchas. A intensificação do quadro levou à emissão do aviso mais grave da escala, válido das 0h às 23h59 desta terça-feira, com previsão de chuva superior a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros em 24 horas em boa parte do território.
A meteorologista independente MetSul reforçou o alerta, apontando que alguns pontos do estado podem ultrapassar 200 milímetros acumulados até quarta-feira, em um cenário associado ao El Niño, com chance real de cheias em rios e arroios. Levantamento apresentado por especialistas mostrou que, entre domingo e a manhã de segunda-feira, cidades como Alegrete, Encruzilhada do Sul e Quaraí já haviam registrado marcas de chuva bastante elevadas, acima de 140 milímetros em menos de 24 horas, enquanto outras nove localidades ultrapassaram os 100 milímetros no mesmo período. O risco informado pelas autoridades inclui grandes alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos de encostas em áreas historicamente vulneráveis do estado.
Os impactos já registrados e o que muda nos próximos dias
De acordo com balanço da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, 49 cidades já haviam registrado algum tipo de dano provocado pelos temporais que atingem o estado desde a sexta-feira anterior. O órgão contabilizou também 19 pessoas desalojadas em municípios como Alegrete, Santa Maria, Dona Francisca e São Borja, entre outras localidades afetadas pela subida de arroios e pelo acúmulo de água em áreas urbanas. O quadro levou o governador Eduardo Leite a se reunir com a Defesa Civil estadual no domingo para acompanhar de perto a evolução da crise e as ações de resposta em curso nas regiões mais atingidas.
Apesar da gravidade do cenário, o Inmet já projeta um afastamento gradual do sistema causador da instabilidade sobre o Rio Grande do Sul. Ainda assim, a atmosfera deve favorecer pancadas de chuva em diferentes regiões gaúchas nos próximos dias, com destaque para o Noroeste, o Norte e a Serra, onde a chuva pode voltar a ser forte em alguns momentos. Já na Campanha e na Zona Sul do estado, a tendência é de precipitação mais irregular e localizada. A mudança mais significativa no padrão do tempo deve ocorrer somente na quinta-feira, quando uma área de alta pressão passa a atuar sobre a região, trazendo alívio gradual às áreas mais castigadas pelas chuvas dos últimos dias.
Para moradores de áreas de risco, a recomendação das autoridades de defesa civil segue sendo a mesma repetida a cada novo ciclo de instabilidade no estado: evitar deslocamentos desnecessários durante os períodos de chuva mais intensa, ficar atento aos comunicados oficiais dos municípios e buscar abrigo em locais seguros caso o nível de rios e arroios próximos comece a subir de forma acelerada. A histórica vulnerabilidade do Rio Grande do Sul a eventos climáticos extremos, evidenciada de forma dramática nas enchentes de anos recentes, mantém o assunto no centro das atenções da população e do poder público gaúcho neste início de semana.
Fontes: Exame, ABC Mais, Sul21, Extra Classe

