Análise de cientista político aponta indefinição na corrida por duas vagas gaúchas e movimentos estratégicos entre os principais nomes.
O Rio Grande do Sul entra na fase decisiva do calendário eleitoral de 2026 com uma pergunta que ainda não tem resposta clara: quem vai ocupar as duas vagas gaúchas no Senado Federal a partir de 2027? Diferente da corrida ao governo do estado, que já concentra boa parte da atenção pública, a disputa pelo Senado avança de forma silenciosa, mas extremamente competitiva. Pelo menos seis nomes despontam com potencial real de vitória, divididos entre esquerda, centro e direita, e nenhum deles aparece, até agora, como favorito absoluto. A leitura é do cientista político Carlos Borenstein, em análise recente à Arauto News. Para o eleitor gaúcho, entender essa disputa importa porque o resultado de outubro vai definir parte da representação do estado em Brasília pelos próximos oito anos, justamente em um momento de reconstrução pós-enchentes e de debates importantes sobre o futuro econômico da região.
Seis nomes disputam as duas vagas gaúchas no Senado
De acordo com o levantamento de Borenstein, os pré-candidatos que já demonstram força eleitoral se dividem em três blocos. À esquerda aparecem a ex-deputada federal Manuela d’Ávila e o deputado federal Paulo Pimenta, ambos com histórico de atuação em Brasília e base consolidada entre eleitores progressistas. No centro do espectro político, o ex-governador Germano Rigotto e o deputado estadual Frederico Antunes tentam atrair um público mais moderado, menos identificado com as polarizações nacionais. Já à direita, o deputado federal Marcel Van Hattem e o também deputado federal Sanderson disputam o eleitorado mais conservador do estado. Pesquisas divulgadas ao longo de 2026, como as dos institutos Methodus, Genial/Quaest e Real Time Big Data, têm mostrado oscilações constantes entre esses nomes, sem que nenhum deles consiga se firmar com uma vantagem confortável.
As duas cadeiras em disputa pertencem hoje aos senadores Luis Carlos Heinze, do PP, e Paulo Paim, do PT, que decidiram não buscar a reeleição e devem se aposentar da vida política ao final do mandato atual. Isso abriu espaço para uma renovação significativa na bancada gaúcha no Senado, algo que historicamente costuma acontecer no estado. Borenstein lembra que, nas últimas três eleições em que o Rio Grande do Sul renovou duas vagas na Casa, os eleitos sempre vieram de campos políticos diferentes entre si, o que reforça a tese de que a disputa deste ano também deve terminar com um equilíbrio entre forças distintas. Some-se a isso o fato de que o governador Eduardo Leite, do PSD, ainda avalia se vai disputar a Presidência da República ou recuar para uma candidatura ao Senado, o que pode mexer ainda mais no tabuleiro político gaúcho nas próximas semanas.
Estratégias de alianças e apoios movimentam a corrida
Com o cenário tão aberto, os movimentos em torno da escolha de suplentes ganharam peso estratégico nas últimas semanas. Paulo Pimenta trabalha para confirmar o deputado estadual Vieira da Cunha como seu primeiro suplente, em uma tentativa de ampliar o alcance de sua candidatura entre as bases do PDT. Manuela d’Ávila, por sua vez, aposta em uma aliança com Henrique Fontana, nome de peso entre o eleitorado mais identificado com o PT, buscando fidelizar o voto ideológico de esquerda. Já no campo de centro, Germano Rigotto recebeu recentemente o apoio simbólico do ex-senador Pedro Simon, histórico nome do MDB gaúcho, em um gesto que Borenstein avalia como capaz de gerar mobilização relevante entre as bases do partido.
Do lado direito do espectro, Marcel Van Hattem avalia ter Sérgio Turra como primeiro suplente, numa estratégia para dialogar com o eleitorado ligado ao PP, enquanto Frederico Antunes tenta capitalizar politicamente sua passagem recente pelo governo do estado, período em que atuou como líder de Eduardo Leite na Assembleia Legislativa. Para Borenstein, ainda que três nomes (Van Hattem, Rigotto e Manuela) apareçam com uma vantagem inicial em pesquisas recentes, a disputa permanece totalmente em aberto, sobretudo porque a eleição ao Senado tende a ganhar contornos mais claros apenas na reta final da campanha, quando o eleitor já decidiu seu voto para presidente e governador.
Por que essa disputa só deve ficar clara perto da eleição
Um dos pontos centrais da análise de Borenstein é o comportamento típico do eleitor brasileiro em eleições gerais. Segundo o cientista político, o eleitorado concentra sua atenção, primeiro, na corrida presidencial, depois na disputa pelo governo do estado, deixando a escolha dos dois votos para o Senado para os últimos dias antes do pleito, marcado para 4 de outubro de 2026. Essa lógica explica, em parte, por que pesquisas eleitorais sobre a disputa ao Senado no Rio Grande do Sul costumam registrar índices elevados de indecisão, em alguns levantamentos superiores a 60% do eleitorado. Levantamentos feitos por institutos como Methodus e Real Time Big Data confirmam esse padrão, com cenários que mudam de forma significativa a cada nova pesquisa divulgada.
Para o eleitor gaúcho, esse cenário reforça a importância de acompanhar a movimentação política nos próximos meses, já que decisões sobre suplência, composição de chapas e até a definição final de Eduardo Leite sobre concorrer ao Senado ou à Presidência podem reconfigurar todo o tabuleiro eleitoral. Como destaca Borenstein, como a eleição para o Senado é decidida em turno único, basta a um candidato somar cerca de 30% dos votos válidos para garantir uma das vagas, o que torna o jogo de alianças tão relevante quanto o desempenho individual de cada postulante nas urnas.
A corrida pelas duas vagas gaúchas no Senado promete ser, portanto, um dos capítulos mais imprevisíveis das eleições de 2026 no Rio Grande do Sul. Com seis nomes competitivos e nenhuma definição clara até o momento, o eleitor terá nas próximas semanas e meses uma série de novidades para acompanhar, desde pesquisas atualizadas até possíveis mudanças nas alianças já anunciadas. Mais do que escolher representantes para Brasília, os gaúchos vão decidir, nas urnas de outubro, qual equilíbrio de forças políticas vai falar pelo estado no Congresso Nacional pelos próximos oito anos. Vale a pena ficar atento aos próximos desdobramentos dessa disputa, que ainda deve ganhar novos contornos antes da definição oficial das candidaturas.
Fontes:
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

