Elmar Juan Passos Varjão Bomfim acumulou ao longo da carreira um entendimento aprofundado sobre uma das etapas mais decisivas e menos discutidas de qualquer projeto de grande porte: a engenharia de fundações. Antes que qualquer estrutura ganhe forma visível, é o estudo do solo, a escolha do sistema de fundação e a precisão na execução dessa etapa que determinam se uma obra terá vida longa ou problemas recorrentes ao longo de décadas.
A engenharia de fundações raramente aparece em fotos de inauguração ou em manchetes sobre grandes empreendimentos. Pontes, edifícios, plantas industriais e parques de energia dependem de soluções subterrâneas que, quando bem projetadas, nunca chamam atenção. Quando mal projetadas, no entanto, geram fissuras, recalques diferenciais e, em casos extremos, colapsos estruturais que custam vidas e fortunas.
Como a investigação geotécnica influencia todo o projeto?
A qualidade de um projeto de fundações começa muito antes do primeiro cálculo estrutural, na fase de investigação geotécnica. Sondagens insuficientes ou mal posicionadas produzem um retrato incompleto do subsolo, e decisões tomadas com base em informações parciais tendem a se revelar equivocadas justamente nas etapas mais avançadas e custosas da obra. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim reconhece esse padrão como uma das origens mais comuns de problemas estruturais que só se manifestam anos depois da entrega.
Solos com camadas heterogêneas, lençóis freáticos próximos à superfície ou histórico de ocupação anterior do terreno exigem investigações mais detalhadas, com maior número de furos de sondagem e ensaios complementares. Em regiões litorâneas, por exemplo, é comum encontrar camadas de solo mole que exigem soluções específicas de fundação profunda, como estacas cravadas ou escavadas até estratos mais resistentes. Ignorar essas particularidades na fase inicial significa transferir o problema para a execução, momento em que qualquer correção se torna exponencialmente mais cara.
Por que a escolha do sistema de fundação impacta custo, prazo e segurança?
A definição do sistema de fundação ideal envolve uma equação que combina características do solo, magnitude das cargas estruturais, restrições do entorno e disponibilidade de equipamentos na região da obra. Estacas pré-moldadas, estacas hélice contínua, tubulões e radiers são algumas das soluções disponíveis, cada uma com vantagens e limitações que precisam ser avaliadas em conjunto.

Em áreas urbanas densamente ocupadas, a proximidade com edificações vizinhas pode restringir o uso de técnicas que geram vibração intensa, levando à escolha de métodos executivos mais silenciosos, ainda que mais lentos ou onerosos. Já em obras de infraestrutura linear, como rodovias e linhas de transmissão, a variabilidade do solo ao longo do trajeto pode exigir múltiplas soluções de fundação dentro do mesmo projeto. O CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, observa que a flexibilidade técnica para adaptar o sistema às condições reais de cada trecho é o que diferencia projetos bem-sucedidos daqueles que enfrentam surpresas constantes durante a execução.
Monitoramento estrutural: a fundação continua sendo projeto após a entrega?
Uma tendência crescente no setor é o monitoramento contínuo do comportamento das fundações mesmo após a conclusão das obras. Sensores instalados em estruturas críticas registram recalques, deformações e variações de temperatura, permitindo identificar comportamentos anômalos antes que se transformem em patologias visíveis. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim presencia essa evolução como parte de uma mudança mais ampla na forma como o setor entende o ciclo de vida das obras.
Essa prática, comum em barragens e grandes pontes há mais tempo, vem se expandindo para edifícios altos, plantas industriais e parques de energia renovável. Os dados coletados ao longo dos anos não apenas garantem a segurança operacional, mas também alimentam bancos de informações que aprimoram projetos futuros em condições geotécnicas semelhantes. A fundação, nesse sentido, deixa de ser uma etapa concluída no início da obra e passa a integrar o ciclo de vida completo do empreendimento.
O alicerce invisível do desenvolvimento
A engenharia de fundações talvez seja a melhor metáfora para o próprio desenvolvimento de infraestrutura: aquilo que sustenta o crescimento raramente é visível, mas sua ausência ou fragilidade compromete tudo o que vem depois. À medida que o Brasil avança na construção de projetos cada vez mais ambiciosos, a qualidade técnica nas etapas iniciais de cada empreendimento se torna decisiva para garantir que essas estruturas cumpram seu papel por gerações. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, ex-presidente da OAS, integra um grupo de profissionais que compreende essa lógica em profundidade, reconhecendo que a solidez de qualquer grande obra começa, literalmente, no que está abaixo da superfície.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

